J.Moura: O nome completo do senhor, como é?
M.Maré: Meu nome é Antônio Laurindo das Neves, mais conhecido como "Maré".
J.Moura: O senhor esta nesta coisa de capoeira desde menino, né?
M.Maré: Eh.
J.Moura: No tempo que o cais aqui, como que era?
M.Maré: Isso aqui era água, tudo isso aqui. Lá o correio velho e que era o cais. Era o antigo cais de Santa Barbara. Lá tinha baiana ainda... Tinha baiana isso tudo...
J.Moura: No tempo que capoeira era luta.
M.Maré: E! Ninguém queria era ???
M.Moura: Tinha uma perseguição muito grande de polícia?
M.Maré: Era, nessa ocasião era.
J.Moura: O senhor se lembra assim de algum fato de polícia, alguma pega com a polícia?
M.Maré: Não, eu só tive um não foi com policia, foi com um companheiro mesmo. Um negócio que no caminho no Retiro, ele se jogo em cima de mim com um negócio, uma pistola, de revolver. Eu tomei o revólver e fui preso. A polícia, a estação era ali no Largo do Tanque, ainda tinha aquele dique, ainda tinha aquilo tudo ali. Eu jogo capoeira desde 1900 e... Pra não mentir desde de 1918.
J.Moura: Mestre, quem e que te ensinou a jogar capoeira?
M.Maré: Eu aprendi por mim mesmo. Tocando berimbau, assim eu tocando berimbau. O pessoal jogando capoeira. Eu parava o berimbau, assim conforme o sujeito tava se livrando por lá, eu mesmo parava o berimbau e me livrava aqui, quando me levantava e tocava denovo, pegava e tocava. De acordo com as prensa que o sujeito fosse dando no outro, eu aqui mesmo com o berimbau eu mesmo não era em mim mas eu tava me livrando e parava o berimbau e coitado, ai continuei.
J.Moura: Quantos anos o senhor já tem Mestre?
M.Maré: 77. Nasci em 1894, a 17 de setembro. 77 a cara dos dois martelo e ???
J.Moura: Mas ainda dá pra dá muita pernada!
M.Maré: Não da não que o reumatismo não deixa. Não viu? Eu fui me abaixar ali... não pude. E muito mal pra encontrar com uma pessoa assim, uma perseguição, o sujeito tando na casa de sem jeito tem que, o sangue tem vir pro lugar pro sujeito... Mais poder vadiar o coração não dá, não tenho mais nada a falar.